Uma das preocupações de
Eça foi evitar as frases demasiado expositivas, fastidiosas e pouco esclarecedoras dos
românticos. Fez, por isso, guerra aberta a toda a retórica (a arte de bem falar, mas
que, muita das vezes, confunde quem ouve ou lê), que considerava inútil e deturpadora da
realidade. Para tal, faz uso da ordem directa da frase, para que a realidade possa ser
apresentada sem artifícios ou alterações, e empregou frases curtas para que os factos e
as emoções apresentadas fossem transmitidas objectivamente.
A pontuação, na prosa
queirosiana, não pretende servir a lógica gramatical. Eça põe a pontuação ao
serviço do ritmo da frase para, por exemplo, marcar pausas respiratórias, para revelar
hesitações ou destacar elevações de vozes.
Para evitar a utilização
constante dos verbos declarativos (ver o verbo), Eça criou o estilo indirecto livre, o estilo
vivido. O processo consiste em utilizar no discurso indirecto a linguagem que a
personagem usaria em diálogo (no discurso directo). Deste modo, o texto ganha vivacidade
e evita a repetitiva utilização de disse que, perguntou se, afirmou
que, ..., criando a impressão de se ouvir falar a personagem. - Exemplo: "Dize
uma coisa, Alencar - perguntou Carlos baixo, parando e tocando no braço do poeta - o
Dâmaso está no Lawrence? Nao que ele o tivesse visto. Verdade seja que na véspera,
apenas chegara, fora-se deitar fatigado; e nessa manhã almoçara só com dois ingleses. O
único animal que avistara fora um lindo cãozinho de luxo, ladrando no corredor..."
(Os Maias)
Em Eça de Queirós, a
linguagem é representativa não só da personalidade da personagem, mas também da sua
condição social. Por isso, é natural que a diversidade de linguagens encontradas nas
suas obras sirvam as funções realista e naturalista que o autor quer conferir aos seus
textos. Como observador da sua sociedade, Eça teve de recriar nas suas obras as
diferentes linguagens das diferentes classes sociais da sua época. Por isso, as suas
obras tornam-se riquíssimos espólios e testemunhos da vida dos finais do século XIX.